Antônio Torres, que lança novo livro, conversa com colegas de ABL na Bienal

O final de 2021 tem sido especial para o baiano Antônio Torres. Depois de 15 anos, ele publicou um novo romance, chamado Querida cidade, que em pouco tempo já tem feito uma excelente carreira, com boas críticas e uma ótima recepção do público.

“Dia desses recebi uma linhazinha do editor-executivo da Record, Rodrigo Lacerda, que aqui responde por mim: ‘Querida cidade está fazendo uma belíssima carreira’, disse ele. Folguei em sabê-lo”, diz entre risos o  escritor, autor de 18 livros de ficção.

Outro motivo de festa é que, depois de um longo período de isolamento, o escritor reencontrará alguns de seus colegas de Academia Brasileira de Letras (ABL) na Bienal do Rio. Torres conversa com Geraldo Carneiro, Rosiska Darcy de Oliveira, Antonio Cícero e Zuenir Ventura no próximo sábado (4), às 13h, no espaço Estação Plural. Eles vão debater sob a mediação da jornalista Bia Corrêa do Lago justamente os efeitos da pandemia e como a filosofia, a poesia e a ficção se inserem nesse contexto.

“Estou me sentindo como o menino do conto ‘As margens da alegria’, de Guimarães Rosa. A daquele menino era a da viagem inventada no feliz, para o lugar onde se construía a grande cidade, que para ele produzia-se em estado de sonho”, diz o imortal de 81 anos.  

Nesta minha descida da serra de Petrópolis para o Recreio dos Bandeirantes, onde se realiza a Bienal do Livro do Rio, há uma margem na minha alegria de reencontrar esses queridos amigos da ABL, que não vejo desde o dia 12 de março do ano passado.”

Antônio Torres, autor de Queridade cidade. Foto: Guilherme Gonçalves/Divulgação

Querida cidade

Com uma prosa trabalhada ao extremo, com toques muitas vezes poéticos entre as suas mais de 400 páginas, Torres narra a saga de um personagem e de uma cidade sem nomes. Vindo do interior, um rapaz tenta se estabelecer na metrópole do jeito que dá, com todas as dificuldades de que o migrante enfrenta ao se deslocar.

Esse personagem vai construindo uma nova história, mas sempre carregando consigo suas experiências, várias delas traumáticas, do passado. Mas ele segue firme em busca de sua autoafirmação plena na vida — da formação educacional às coisas do coração.

Misturando sonho, realismo e fluxos de consciência, Querida cidade é um livro especial na trajetória de Torres. “‘É um outro Torres’, me diz agorinha mesmo, ao telefone, Ignácio de Loyola Brandão que, do alto dos seus 48 livros publicados, deve saber o que está dizendo”, diz.

“E essa impressão de leitura do Loyola sintetiza o que se tem dito sobre esse meu 12º romance. Batuquei no teclado por longos 12 anos buscando uma superação do que a minha antiga musa cantava. Que alívio saber que Querida cidade está sendo visto assim.”

É o que pensa também Nélida Piñon, uma das mais importantes autoras brasileiras dos último 50 anos, que escreveu um texto consagrador na orelha do livro. “Querida cidade é uma costura entre ambiente onírico e cotidiano, amor e melancolia, desalento e aceitação. Triunfo de um grande autor em sua melhor forma.”

O baiano Antônio Torres

Antônio Torres faz parte de uma geração fantástica de autores de ficção no Brasil. Ao seu lado, começaram a escrever e publicar, nos anos 1970, Moacyr Scliar, Ignácio de Loyola Brandão, João Antônio, Nélida Piñon, Ana Maria Machado, Sérgio Sant’Anna, Ivan Ângelo, Luiz Vilela e João Ubaldo Ribeiro, entre tantos outros. Uma geração que marcou a ferro quente seu nome na literatura brasileira.

E Torres deixou sua marca com romances de sucesso de crítica e público, a exemplo de Um cão uivando para a Lua, que em 1972 arrebatou os críticos que não conheciam o baiano vindo de um pequeno vilarejo chamado Sátiro Dias.

Mas foi com o seu livro de 1976, Essa terra, que o autor “explodiu”. Uma história comovente de um nordestino que migra para São Paulo, o livro foi traduzido para mais de dez línguas e se tornou um best-seller no Brasil.

Antes de chegar à literatura, Torres passou pelo jornalismo e pela publicidade, onde trabalhou em algumas das principais agências do país. Rodou a Europa por conta do sucesso de seus romances e viveu por três anos em Portugal. Depois de passar décadas do Rio de Janeiro, resolveu se exilar em Itaipava, na região serrana fluminense. Em 2015, foi eleito para a cadeira número 9 da Academia Brasileira de Letras.

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Querida cidade
Antônio Torres
Record
430 págs.