Antonio Fagundes e Fabio Porchat incentivam a “arte” de ler

Com grande público presente, a Estação Plural contou com a participação de grandes nomes amantes da leitura. Os atores Antonio Fagundes e Fabio Porchat conversaram sobre como estimular o gosto pela leitura, em debate mediado pelo cineasta e autor Paulo Halm. Conhecido como ‘livreiro do Alemão’, o escritor Otávio Júnior era outro convidado da mesa “Eu amo ler”. Ele contou como seu sonho impacta a vida de milhares de crianças da comunidade onde vive, na Penha, Zona Norte do Rio. Já a menina Lua Oliveira, apaixonada por livros, criou uma biblioteca comunitária na Ladeira dos Tabajaras, comunidade onde mora em Copacabana, e dividiu com o público sua experiência em disseminar o hábito de ler.

“Ler não é um hábito que nasce com você. Tem que criar esse hábito, dedicar-se a ele para que se torne prazeroso. Por isso escrevi o meu livro “Tem um livro aqui que você vai gostar”, para dar pequenas dicas para as pessoas que querem e têm interesse na leitura”, disse Fagundes.

“Quando você encontra o livro certo, na hora certa, não tem como não se envolver com a história dele”, complementou Fabio Porchat, que é ator, roteirista, produtor, apresentador e diretor.

Porchat falou ainda da importância da escola nesse incentivo à leitura: “Cabe aos professores ter essa sensibilidade de achar o caminho para que seu aluno goste de ler. Essa é a chave para termos mais leitores no Brasil”.

Para Otávio Júnior, ler dá suporte para viver. Ele começou a escrever para criar a identificação em outras crianças e ficou conhecido por abrir a primeira biblioteca nas favelas do Complexo do Alemão e no Complexo da Penha. Em 2020, foi ganhador do prêmio Jabuti na categoria infantil com o livro “Da minha janela”.

“A minha história é um conto de encantamento ambientado na favela. Fui assistir a uma partida de futebol e tropecei em uma caixa. Dentro dela tinha um livro e eu peguei. Cheguei em casa e comecei a ler. Naquele momento um mundo mágico e colorido se abriu para mim”, disse Otávio. “Ler mudou a minha vida e quis compartilhar essa minha paixão com as comunidades do Rio de Janeiro. A literatura não faz parte do cotidiano das favelas, então, eu quis trazer esse olhar para eles, mostrar que a literatura podia trazer sonhos para cada um”, explicou.

Lua Oliveira, por sua vez, fundou “No mundo da Lua”, sua primeira biblioteca comunitária que atende moradores da Ladeira dos Tabajaras, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde vive com os pais. Ela disse que a ideia de seu projeto veio com a visita que fez à Bienal do Livro Rio há dois anos.

“Quando vim à Bienal do Livro Rio, eu percebi que muitas crianças não puderam levar livros para casa e, ainda pior, vi que na minha comunidade muitas pessoas não puderam  ir ao maior evento literário do país, que é pura magia. Então, tive a ideia de montar uma biblioteca para trazer um pouco desse mundo para as pessoas que não têm acesso. E foi assim que comecei a montar o projeto”, concluiu. 

Pelas redes sociais, a menina mobilizou seguidores com um vídeo que viralizou. Ela, então, passou a receber livros na comunidade e ajudar na criação de outras bibliotecas comunitárias. Hoje, disse Lua, são 44 salas de leitura abertas e 5 delas fora do estado.