Adaptação de “O poderoso chefão”, livro de Mario Puzo, faz 50 anos

Quando foi lançado, em 1969, o romance O poderoso chefão, de Mario Puzo, tornou-se de imediato um sucesso. E quando Francis Ford Coppola colocou nos cinemas sua adaptação do livro, o Chefão já era um best-seller mundial. Mas o fato é que, com o filme, que está completando 50 anos em 2022, a obra de Puzo passou de best-seller a referência pop, incrustada no imaginário coletivo.

Para quem ainda não conhece o clássico, uma versão remasterizada em 4K está sendo exibida em cinemas selecionados de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e estará disponível no serviço de streaming Paramount+ a partir de 22 de março.

Se o filme fez de Coppola um homem rico, não foi diferente com Puzo. O romance é até hoje considerado a mais perfeita reconstituição das famílias mafiosas de Nova York. E o carisma de Don Vito Corleone, o chefão do título, não vem apenas da atuação esplendorosa de Marlon Brando no longa, mas sim do retrato excepcional que Puzo fez dele, criando uma espécie de “vilão do bem”. Um homem capaz de fazer qualquer coisa pela sua família.

A história é mais que conhecida, mas não custa relembrá-la. A obra de Puzo investiga como agiam as “famílias” italianas em Nova York, sendo o foco principal da história o núcleo dos Corleone — o pai, Vito, a esposa, Carmela, e os quatro filhos: Fredo, Sonny, Michael e Connie, além do agregado Tom Hagen.

Mario Puzo constrói de maneira hábil um mundo de intrigas, decisões cruéis e honra, num legado de tradição e sangue que faz do romance um épico mafioso. Quando seus inimigos atacam juntos e tudo que sua família significa estiver por um fio, o velho Corleone terá de escolher, entre seus filhos, um sucessor à altura. E esse é o fio condutor da narrativa.

Mario Puzo, autor de O poderoso chefão.

O poderoso chefão: verdadeiro best-seller

  • Publicado em 1969, foi um livro encomendado a Mario Puzo
  • O autor aproveitou suas raízes italianas para compor a obra
  • Puzo serviu na Segunda Guerra Mundial
  • Depois escreveu em revistas e começou a publicar romances
  • Fez livros elogiados pela crítica, mas com poucas vendas
  • O poderoso chefão ficou um ano na lista dos mais vendidos
  • Em 1972, o livro foi adaptado por Francis Ford Coppola
  • O filme virou um ícone pop
  • Puzo assina o roteiro com Coppola

O sucesso mundial do filme

Uma das coisas mais impressionantes por traz do filme é que Coppola, à época, era ainda um cineasta com poucos êxitos em sua carreira. A Paramount, no entanto, estava “aberta” aos novos cineastas e deu a ele a chance de sua vida.

Entre os vários atrativos do filme, um dos mais impressionantes é o seu elenco, que reúne estrelas como Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall e Diane Keaton. Mesmo sob tensão por dirigir um projeto tão grandioso, Coppola soube verter em imagens o romance homônimo de Mario Puzo.

E a mescla entre a tradição de grandes filmes de Hollywood e o cinema de arte europeu deu a liga para o filme de Coppola — que, depois do sucesso, virou um homem rico e pôde empenhar seu patrimônio em um projeto ainda mais personalista, o épico de guerra Apocalypse now, de 1979.  

A primeira frase do longa já é uma espécie de cartão de visitas da personalidade de Vito, um homem que acredita na lealdade, aconteça o que acontecer. “Eu acredito na América”, diz, enquanto naquele momento ninguém acreditava muito nos Estados Unidos com sua sanha imperialista no Vietnã.

Em troca do que faz pelos outros, o poderoso chefão pede apenas o respeito e a amizade de seus protegidos. Assim, todas as suas vontades se tornam realidade. Porém, o tempo é implacável com todos, até mesmo os mais fortes.

A luta em defesa da família, driblando os mais violentos atentados e sangrentas traições, é transferida, por força das circunstâncias, para o caçula Michael, que primeiramente rejeita ser o novo “padrinho”, mas logo afundará nos negócios, empurrado pelo destino.

A trajetória de Puzo

Mario Puzo nasceu em uma família de imigrantes italianos de Hell’s Kitchen, um bairro de Manhattan. Suas paixões na vida foram o jogo e a literatura. Mas ele esteve também no exército americano, servindo na força aérea na Segunda Guerra Mundial.

Começou a publicar em revistas no início dos anos 1950 e após alguns livros elogiados pela crítica (A guerra suja e O imigrante feliz), mas com pouco apelo entre os leitores, recebeu uma oferta para escrever um romance sobre a máfia italiana em NY.

Dois anos antes de seu lançamento, os direitos de adaptação para o cinema já tinham sido vendidos — e quando finalmente chegou às livrarias, em 1969, permaneceu mais de um ano na lista dos mais vendidos, gerando, três anos depois, um verdadeiro clássico nas mãos de Francis Ford Coppola. Puzo, como se não bastasse, escreveu o roteiro dos três filmes feitos a partir de seu livro.

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O poderoso chefão
Mario Puzo
Trad.: Carlos Nayfeld
Record
462 págs.