A literatura brasileira em cinco bons lançamentos

Uma nova leva de bons livros, de autores brasileiros, acaba de ser publicada. O imortal da Academia Brasileira de Letras Antônio Torres publica o primeiro romance em 15 anos. Querida cidade traz a maestria da prosa do autor de livros célebres como Essa terra, o best-seller do baiano.

Uma antologia poética resgata a obra imprescindível da paraense Olga Savary, nome incontornável da literatura brasileira. Ainda na poesia, a paulista Geni Guimarães segue sendo revalorizada e tem o seu Balé das emoções novamente disponibilizado. Andréa Del Fuego e José Falero, da ala mais jovem da nossa literatura, surgem com livros fortes, que prometem fazer barulho. 

Querida cidade
Antônio Torres

Antônio Torres, autor de Querida cidade.

O novo livro de Antônio Torres marca o fim de um hiato de 15 anos do autor baiano sem publicar romance. Mas a espera não foi em vão. Mestre da prosa de ficção, Torres, que já transitou também pelo jornalismo e publicidade, cria um protagonista enigmático, que vai contando sua história de forma lenta, mas envolvente, embrenhando aos poucos o leitor. Sabe-se de antemão que o personagem deixou a pequena cidade onde nasceu para tentar uma vida melhor, estudar ou mesmo para fugir de algo. Ao conversar com a mãe sobre o pai, que sumiu sem deixar vestígios muitos anos antes, o filho rememora sua própria trajetória de êxodo, independência, fracasso e eventual retorno às origens. Um livro denso que faz jus ao trajeto literário do autor de obras célebres como o romance Essa terra, outra jornada em que o homem e seu habitat estão em constante comunhão.

Querida cidade
Antônio Torres
Record
430 págs.

A pediatra
Andréa Del Fuego

Andréa Del Fuego, autora de A pediatra. Foto: André T. Sader/Divulgação

Perturbador pode ser uma boa definição para o novo livro da paulista Andréa Del Fuego, que com seu primeiro romance, Os malaquias, publicado em 2010, venceu o Prêmio Saramago de Literatura. A pediatra do título é Cecília, que, por incrível que pareça, é uma mulher avessa à maternidade, tem pouco apreço por crianças e nenhuma paciência para os pais e mães que as acompanham. Ainda assim, optou por seguir os passos do pai na medicina. Em paralelo, Cecília vive uma relação com um homem casado, cujo filho ela acompanhou o nascimento como neonatologista. E é esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados pela pediatra.

A pediatra
Andréa Del Fuego
Companhia das Letras
160 págs.

Balé das emoções
Geni Guimarães

Aos poucos o trabalho de Geni Guimarães vem sendo redescoberto e revalorizado. Em 2020, a autora foi homenageada do ano no evento Balada Literária, em São Paulo. Em 2021, é a homenageada da Olimpíada da Língua Portuguesa. Originalmente publicado em edição independente, em 1993, Balé das emoções volta agora em nova roupagem, pela editora Malê. Na coletânea de poemas, Geni aborda temas como amor, infância, sofrimento, desejo, inocência, medo, entrega e utopia. Autora de mais de dez livros, em gêneros como poesia, conto e infantojuvenil, seu livro de histórias breves A cor da ternura, publicado em 1989, venceu o Prêmio Jabuti.

Balé das emoções
Geni Guimarães
Malê
68 págs.

Coração subterrâneo
Olga Savary

Outro livro que demonstra a força da poesia feita por mulheres brasileiras é Coração subterrâneo. A obra traz uma seleção de 100 poemas de Olga Savary, poeta que se notabilizou por trafegar com desenvoltura por vários nichos da poesia, do haicai à lírica erótica. Esta antologia, que cobre toda a carreira da autora paraense, ilumina uma das obras mais interessantes da literatura brasileira no século 20. E para quem quiser se aprofundar na obra da autora, os livros Anima animalis (1996), Linha-d’água (1987) e Magma (1982) são bastante representativos da produção da autora, morta em 2020, vítima de Covid-19.

Coração subterrâneo
Olga Savary
Todavia
128 págs.

Mas em que mundo tu vive?
José Falero

O gaúcho José Falero chegou agitando a literatura brasileira com seu primeiro romance, Os supridores, que teve uma recepção calorosa de leitores e críticos ao apresentar uma narrativa eletrizante sobre o subemprego, repleta de oralidade. Agora ele surge na pele de um cronista que traz a mesma ginga do romancista. Publicados originalmente na revista digital Parêntese, os textos de Mas em que mundo tu vive? falam do cotidiano e se misturam a gêneros como ensaio e ficção. Um livro instigante de um nome que veio para ficar.

Mas em que mundo tu vive?
José Falero
Todavia
280 págs.