A filosofia estoica no século 21: como encarar problemas e desafios

A filosofia estoica surgiu há mais de dois milênios, na Grécia Antiga, e até hoje tem muito a ensinar àqueles que desejam uma vida interior mais próspera. Para conhecer melhor essa forma de encarar o mundo, duas publicações recentes vêm bem a calhar: Ser estoico: eterno aprendiz, de Ward Farnsworth, e Para entender o estoicismo, de Matthew J. Van Natta.

O fundador da escola estoica, Zenão de Cítio, foi um comerciante que perdeu tudo em um naufrágio e precisou se reerguer das cinzas. Esse fato, por si só, é um bom indicativo do que propõe essa filosofia. De acordo com Farnsworth, em Ser estoico: eterno aprendiz, estes são alguns dos ensinamentos mais importantes:

  • Quando reagimos a um acontecimento, estamos na verdade reagindo ao que dissemos a nós mesmos a respeito dele
  • Nossa experiência no mundo é obra nossa, não do mundo, e o estoico pretende assumir essa responsabilidade
  • Devemos apostar nosso bem-estar naquilo que podemos controlar, e abandonar o apego àquilo que não podemos
  • O objetivo não é somente superar o medo da morte, mas abraçar a mortalidade como mais uma forma de perspectiva e inspiração
Matthew J. Van Natta, autor de Para entender o estoicismo.

Uma vida estoica

Os ensinamentos resumidos acima mostram que levar uma vida estoica exige atenção constante. Não é uma fórmula mágica para superar os problemas, nem uma maneira de jogar tudo para debaixo do tapete e triunfar por meio da indiferença, mas uma reeducação mental permanente.

“O estoicismo ajudou-me a definir quem eu queria ser e me deu os meios para me tornar essa pessoa. O processo é permanente, recompensador e vale a pena ser compartilhado”, anota Van Natta, que começou a estudar essa filosofia devido a problemas de ansiedade, na introdução do guia Para entender o estoicismo.

Essa maneira constante de se aprimorar vai de encontro ao que diziam os principais disseminadores da filosofia estoica, como o imperador Marco Aurélio, o senador Sêneca e o professor Epiteto. “Os estoicos eram estudiosos apurados do desejo, do medo, do status social, da emoção e de muitos outros assuntos que vêm atormentando a raça humana há milhares de anos e ainda hoje”, explica Farnsworth.

Ward Farnsworth, autor de Ser estoico: eterno aprendiz. Foto: Steph Swope/University of Texas School of Law

Trechos de conhecimento

Apesar de a filosofia estoica ter surgido na Grécia, foram as anotações dos estudiosos romanos que melhor resistiram ao tempo. Abaixo, algumas frases — extraídas dos livros já mencionados — de três dos principais nomes do estoicismo tradicional.

Esta é a regra a ser lembrada no futuro, quando algo levar você a ficar amargo: não diga “que azar”, mas sim “que sorte ser capaz de enfrentar tudo isso com garra”.
Marco Aurélio

Eu não me vinculo a um mestre estoico em particular. Tenho também o direito de formar uma opinião.
Sêneca

Quando você estiver pronto para dar início a alguma tarefa, pare por um minuto e reflita sobre qual é a natureza da tarefa que será realizada.
Epiteto

Pare de falar como uma boa pessoa deve ser e seja uma delas.
Marco Aurélio

O que não é filosofia estoica

Em Ser estoico: eterno aprendiz, Farnsworth comenta que há muitos equívocos em relação ao que é ser estoico no mundo contemporâneo. Um dos principais é achar que essa filosofia prega uma “terrível carência de sentimento”. A premissa, na verdade, aponta para a direção contrária.

Ao tentar reinterpretar as informações que nos chegam do mundo exterior, e não se deixar levar somente pelo primeiro impulso que surge na mente, adquire-se ferramentas melhores para lidar com adversidades. Trata-se de encarar os sentimentos e redirecioná-los em nome de uma fruição da vida mais positiva, e não ignorá-los.

Em resumo, conforme anotação de Van Natta, é uma “filosofia prática construída sobre a crença de que todas as pessoas podem ter uma vida próspera”. E, por consequência, “prega que todos os seres humanos formam uma família e que cada um de nós é digno de um afetuoso respeito”.

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Para entender o estoicismo
Matthew J. Van Natta
Trad.: Mário Molina
Cultrix
216 págs.