A escrita que vem da Ásia: 5 escritoras imperdíveis

A Ásia é um mar de histórias. Com tradições muito arraigadas, o maior continente do planeta também é pródigo em grandes autoras. A Bienal 360º selecionou cinco nomes contemporâneos que demonstram a força literária de países como Coreia do Sul, Japão e Índia.

Cada um desses lugares certamente mereceria uma lista só com suas principais autoras. Mas, em um continente com mais de 50 países, o melhor mesmo é diversificar. Ah, mas será que existe algo que une autoras tão diferentes quanto a indiana Arundhati Roy, vencedora do prêmio britânico Booker Prize, e a japonesa Banana Yoshimoto? Muito provavelmente a fusão entre a tradição e o contemporâneo. Confira.

Banana Yoshimoto, Japão

O verdadeiro nome da escritora é Mahoko Yoshimoto. O Banana surgiu como nome artístico porque ela é fascinada pelas folhas de bananeira. A autora nasceu em Tóquio, em 24 de julho de 1964. Filha do poeta e militante de esquerda Takaaki Yoshimoto (1924-2012), cresceu em uma família liberal e ligada às artes — sua irmã, Haruno, é uma conhecida cartunista japonesa. Formada em literatura pela Universidade Nihon, Banana despontou logo com o primeiro livro, Kitchen, publicado em 1988. O livro teve duas adaptações para o audiovisual — uma para o cinema, outra para a TV. A morte é um dos temas preferidos da autora, que é considerada “pop” em seu país e elogiada por leitores por retratar as angústias dos jovens japoneses das grandes cidades. Entre seus mais de 20 livros, destaca-se Tsugumi, que conta a história de deslocamento de uma universitária do interior para Tóquio.

Tsugumi
Banana Yoshimoto
Trad.: Lica Hashimoto
Estação Liberdade
184 págs.

Bae Su-ah, Coreia do Sul

Nascida em 1965, Bae se formou em química pela Ewha Womans University, de Seul. A obra da escritora, que vive na Alemanha, dialoga com as produções mais experimentais do cinema asiático, como os filmes de Pen-Ek Ratanaruang e de Kim Ki-Duk. Seu livro mais recente publicado no Brasil (o segundo traduzido no país), Noite e dia desconhecidos, resgata elementos da literatura surrealista para construir a história pouco convencional da atriz Ayami, que se despede de seu emprego em um teatro para cegos que está fechando as portas. Sem rumo, não sabe o que fazer da vida em uma cidade que lhe parece hostil e ameaçadora. Em uma jornada inesperada, Ayami busca uma professora de alemão desaparecida e inicia um complexo relacionamento com um escritor de romances policiais.

Noite e dia desconhecidos
Bae Su-ah
Trad.: Hyo Jeong Sung
DBA
138 págs.

Preeta Samarasan, Malásia

Preeta Samarasan vive há muito tempo fora de seu país de origem, a Malásia. Ela primeiro se mudou para os Estados Unidos, onde concluiu o colegial. Hoje vive na França com o marido e a filha. No entanto, a Malásia exerce grande influência em sua ficção. Em seu livro mais conhecido e o único traduzido no Brasil, Noite é o dia todo, a autora narra a saga de uma poderosa e rica família, descendente de imigrantes indianos, na Malásia da década de 1970. A autora tece um preciso retrato dos sul-asiáticos em um país formado eminentemente por imigrantes — suas lutas em uma nação pós-colonial, fragmentada e multicultural. O livro volta ao passado e percorre a vida dos patriarcas da família Rajasekharan para explicar as desventuras dos personagens no futuro. Um livro de ficção poderoso, que mostra como as diferenças de classe e raça ainda permeiam a sociedade no país.

Noite é o dia todo
Preeta Samarasan
Trad.: Léa Viveiros de Castro
Rocco
400 págs.

Min Jin Lee, Coreia do Sul

De origem coreana, Min Jin Lee está estabelecida há muitos anos em Nova York. Ela é colaboradora das principais publicações americanas, como The New York Times, Vogue e Wall Street. É autora do best-seller Free food for millionaires. Seu livro mais recente publicado no Brasil, Pachinko, teve os direitos de adaptação para série de TV comprados pela Apple e foi eleito um dos 10 Livros do Ano de 2017 pela revista Time. A história também fascinou o ex-presidente Barack Obama, que o recomendou a seus seguidores. O romance narra a saga de três gerações de imigrantes coreanos no Japão do século20. Movido pelas batalhas enfrentadas por imigrantes, os salões de pachinko ― o jogo de caça-níqueis onipresente em todo o Japão ― são o ponto de convergência das preocupações centrais da história: identidade, pátria e pertencimento.

Pachinko
Min Jin Lee
Trad.: Marina Vargas
Intrínseca
528 págs.

Arundhati Roy, Índia

Logo de cara, com seu primeiro livro, a indiana Arundhati Roy arrebatou elogios da crítica e levou o prêmio britânico Booker Prize de 1997 para casa. E não se trata de sorte de principiante, O deus das pequenas coisas é uma história forte e cativante. Arundhati narra a história dos gêmeos Rahel e Estha, que, na Índia de 1969, crescem entre os caldeirões de geléia de banana e as pilhas de grãos de pimenta da fábrica da avó cega. Armados da inocência invencível das crianças, os dois tentam inventar uma infância à sombra da ruína que é sua família — a mãe, a solitária e adorável Ammu; o delicioso tio Chacho; a inimiga Baby Kochamma e o fantasma de uma mariposa que um dia pertenceu a um entomologista imperial.  Arundhati desde então foi editada em mais de 30 países e, na época do lançamento de O deus das pequenas coisas, encabeçou por semanas a lista de mais vendidos na Grã-Bretanha, Austrália, Índia e Noruega. Seu mais recente livro lançado no Brasil é O mistério da felicidade absoluta, de 2017.

O deus das pequenas coisas
Arundhati Roy
Trad.: José Rubens Siqueira
Companhia das Letras
360 págs.