A astrologia e a busca pelo autoconhecimento

A sorte foi lançada na tarde desta segunda-feira, quarto dia de Bienal do Livro Rio. Na mesma mesa esotérica, o encontro entre três mulheres que vivenciam a astrologia e a espiritualidade de maneiras diferentes, mas com muitos pontos em comum. Era a mesa “Nem tão esotérico assim”.

A mediadora Ana Paula Lisboa abriu o bate-papo escolhendo uma carta do oráculo HouHou. Saiu “A Resiliência”. A criadora do oráculo Verônica Alves fez a interpretação:

“Meu instinto me faz flexível a qualquer obstáculo. Eu sou o elemento mais humilde, contorno os obstáculos, eu sou a água. E se o corpo humano é composto de 70% de água, nós também podemos ser flexíveis. E nós mulheres somos como as águas: nos tornamos maiores quando nos encontramos”.

Verônica acredita que é preciso ter muito cuidado com o charlatanismo do qual se utilizam algumas pessoas, com promessas de curas e soluções mágicas. Para ela, as pessoas precisam acreditar que são suas próprias bússolas, que todo mundo tem um oráculo dentro de si.

Durante o difícil ano de 2020, as autoras perceberam uma busca maior por conforto espiritual. Cláudia Lisboa acredita que o ano do surgimento da Pandemia de Covid-19 trouxe um significado. “Ficamos absolutamente sós. E só nos restou nos conhecer. Mas sem perdermos o olhar no outro. É o autoconhecimento em prol do outro.”

Pam Ribeiro, a Bruxa Preta, contou sobre a necessidade de trazer para a astrologia os conhecimentos de vida na periferia e de religiões de matriz afro e como isso mudou sua própria forma de pensar e sentir: “Como mulher preta e periférica, sempre precisei ser forte, mas com os estudos sobre espiritualidade, vi que podia também acessar minha vulnerabilidade.”

Para as três astrólogas a mensagem que elas trazem, seja nos livros ou nas outras plataformas, precisam ser ditas. Muitas vezes elas se sentem como um canal, como facilitadoras para a mensagem chegar a quem precisa. “A divindade da palavra se dá quando ela toca outra pessoa.”, conclui Verônica.