A ancestralidade na escrita brasileira

Com descontração e música. Desta forma foi aberta a segunda mesa de debate desta sexta-feira (10/12) na Bienal do Livro Rio. Com o tema ‘Ancestralidade e memória nas letras presentes’ a conversa teve a participação do escritor e compositor, Nei Lopes; da professora Leda Maria Martins; e da cantora e escritora Fabiana Cozza. A mediação foi da escritora Eliana Alves Cruz.

Ao falar sobre ancestralidade e da preservação e resgate da história, Nei Lopes foi categórico: “Tratar sobre esse tema é parte de uma necessidade da falta de representatividade do nosso povo de cultura afrodescendente. Existir como ser humano em sua totalidade é pertencer a uma comunidade e esse pertencimento exige participação nas crenças de tal comunidade. Todo ser humano constitui um elo vivo, ativo e passivo na cadeia das forças vitais e isso é ligado ao vínculo de sua ancestralidade. Diante disso afirmo que para um africano, um afrodescendente uma das maiores calamidades é estar só, retraído e reduzido a uma existência deficiente, individualista, sem proteção”, declarou.

A escritora cantora Fabiana Cossa falou sobre a falta de representatividade nas nossas escolas, que segunda ela é o começo de tudo. “As instituições acadêmicas necessitam mostrar e escrever sobre essa matriz negra. Esse lugar ainda não está autorizado para nossa letra. É muita luta dentro de uma academia para passar a nossa cultura”, disse a escritora.

Para a professora Leda Maria Martins, o escritor negro não tem lugar na nossa sociedade. Para ela, é preciso pensar no negro na literatura brasileira: “Há na literatura brasileira uma exclusão do negro como elemento formador, constituidor e da cultura negra, da leitura como elemento civilizatório. O que devemos acentuar é que mais do que pensar em uma literatura negra é pensar no negro na literatura brasileira. O negro como escritor, como autor da letra escrita, com obras dessa literatura”, destacou.

Para o professor de história, Flávio Henrique Cardoso, presente na plateia, o debate foi enriquecedor, e nem precisava ser aberto para perguntas: “Tudo que os mestres apresentaram hoje foi tão bem colocado que não surgiram dúvidas. Foi de extrema valia”, finalizou.

Todas as sessões são transmitidas no site oficial do evento e contam com a tradução da Língua Brasileira de Sinais (Libras).