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Bienal do Livro: origens e ecos da Revolução Russa são tema de debate

07/09/2017 via O Globo

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Mesa reuniu os historiadores Daniel Aarão Reis e Rorigo Patto Sá Motta e a jornalista Maria Cristina Fernandes

RIO - O centenário da Revolução Russa lotou o Café Literário da Bienal do Livro do Rio na manhã desta quinta-feira, no dia que promete ser um dos mais movimentados da feira. No debate, os professores e historiadores Daniel Aarão Reis, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Rodrigo Patto Sá Motta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UMFG), e a jornalista Maria Cristina Fernandes, do “Valor Econômico”, abordaram o contexto histórico do evento, suas repercussões no Brasil e na Rússia contemporânea. A mediação foi de Rodrigo Elias.

Aarão Reis, organizador de “Manifestos vermelhos e outros textos históricos da Revolução Russa” e que lança no próximo mês “A revolução que mudou o mundo” (ambos pela Companhia das Letras), afirmou que o sucesso da revolução socialista na Rússia, então um império feudal comandado por czares, surpreendeu os socialistas de todo mundo. Afinal, todos os teóricos e militantes acreditavam que a irrupção do socialismo nos países do centro do capitalismo avançado, na Europa ou nos Estados Unidos. Os próprios russos compartilhavam desta crença.

— Se você pegar os textos de Lênin, em todas as suas falas registradas, ele sustenta que a revolução russa seria um prólogo para uma revolução internacional. Trótski chegou a dizer que, se a revolução internacional não acontecesse, a revolução russa seria estrangulada. Alguns movimentos efetivamente aconteceram na Europa, em países como Alemanha e Hungria, mas ou foram derrotados ou seguiram caminhos políticos diferentes — explicou Aarão Reis.

Na sua avaliação, o confinamento da Revolução Russa aos países que depois vieram a formar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) criou as condições para a consolidação de uma ditadura revolucionária. O professor da UFF ressaltou que esse caminho contrariou muitas das aspirações do socialismo internacional, que se compreendia numa correlação íntima com a democracia. Para Aarão Reis, a sequência de guerras civis foi decisiva para o fortalecimento de uma linhagem política autoritária.

— Emergiu ali com o socialismo russo uma tendência socialista autoritária. Neste centenário, é preciso analisar a particularidade desta vertente socialista autoritária, viabilizada pelo seu caráter nacional, estruturada em meio a guerras civis e tributária também de concepções que se formaram ali e e privilegiavam uma perspectiva autoritária — argumentou.

Já Rodrigo Patto Sá Motta, autor de “Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil, 1917-1964”, discutiu os ecos da Revolução Russa por aqui, para ele, sentidos até hoje. Motta apontou três matrizes para o anticomunismo brasileiro: o catolicismo, o fato de ser uma concepção “estrangeira” e o liberalismo. O comunismo representaria assim uma ameaça à crença religiosa, à soberania nacional – esta uma concepção muito partilhada pelos militares — e à propriedade privada. A imagem da “infiltração estrangeira” alimentou, inclusive, muitas perseguições aos judeus e outros imigrantes.

Segundo o historiador, as duas ditaduras brasileiras no século XX, das décadas de 1930 e 1960, tiveram no anticomunismo parte fundamental dos seus substratos ideológicos.

— A criação do Estado Novo, em 1937, partiu da manipulação do medo gerado a partir da insurreição aliancista de 1935, que incluía não apenas comunistas. A partir daí, surgiu uma tradição anticomunista muito arraigada nas instituições e nas Forças Armadas. No governo João Goulart, essa tradição anticomunista foi reciclada e alimentou muitos movimentos de direita no golpe de 1964 — disse Motta, que aproveitou a presença de editores para lembrar que o seu “Em guarda contra o perigo vermelho” está esgotado há anos.

O professor da UFMG vê com preocupação a apropriação do discurso anticomunista por novos grupos da direita brasileira e fez um alerta.

— Vivemos um período de efervescência de discursos anticomunistas, dentro de um quadro de direitização geral da política que não se sabe para onde vai. No passado, quando tivemos essas grandes mobilizações de direita baseadas num discurso genérico anticomunista, o resultado foi autoritarismo e restrição de liberdades para todos — disse Motta. — Mudanças sociais provocam medo e o anticomunismo é utilizado para manipular esse medo.

A jornalista Maria Cristina Fernandes falou sobre sua viagem pela Rússia para produzir uma reportagem especial sobre o centenário da revolução de outubro. Maria Cristina disse que chamou atenção como a revolução era uma espécie de “não fato” no país, não ensejando atos cívicos nem comemorações. A jornalista comparou com o 9 de maio, data que os russos celebram a vitória na Segunda Guerra Mundial, um dia de paradas militares enormes e muita festa.

— Eu perguntei para pessoas com quem eu conversei: por que vocês não comemoram da mesma maneira? E eles não entendiam, a pergunta não fazia sentido. Aí eu questionava: mas haveria vitória na Segunda Guerra se o país não estivesse sob o poder soviético? A comparação não fazia sentido — disse Maria Cristina.

A jornalista conversou com os responsáveis por organizar as celebrações oficiais do centenário no país. Um dos organizadores disse que a Revolução Russa transformou a estrutura social do país e deu o exemplo do próprio pai: um camponês que virou operário numa fábrica de automóveis e ascendeu até se tornar diretor. Contudo, ele também reconhecia o legado de tirania e esperava que as comemorações não ficassem nesses dois polos.

— O que achei mais interessante é que havia conflitos dentro do próprio comitê — contou Maria Cristina. — Eu conversei com um membro da sociedade histórica russa e ele me disse que esperava que esse evento não dividisse a sociedade. Bem-humorado, ele explicou que achava que a Rússia devia tratar 1917 como os franceses tratam 1789 (data da Revolução Francesa): há discussões e controvérsias, mas não divide o país.



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